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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Número de imigrantes deve aumentar e brasileiro se tornará mais xenófobo, alerta pós-doutora da UFMT

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Notícias / Comportamento
Número de imigrantes deve aumentar e brasileiro se tornará mais xenófobo, alerta pós-doutora da UFMT


da Redação - Isabela Mercuri


22 Jan 2020 - 17:00
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Foto: Reprodução




O cenário é distópico e desanimador, mas, segundo a pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e ambientalista Michèle Sato, não tem como ser diferente: cada vez mais pessoas vão fugir de seus lugares de origem em decorrência da crise climática, principalmente para o Brasil. Em consequência, o brasileiro se tornará mais xenófobo e o processo migratório, que já é perverso e excludente, será ainda mais cruel.


Este é o alerta que ela – e um grande número de pessoas em todo o mundo – tenta fazer há anos. Recentemente, articulou a criação da ‘Coalizão pelo Clima’ em Mato Grosso e, com isso, uniu-se a partidos políticos, Organizações Não Governamentais (ONGs), Centros Acadêmicos e outras entidades da sociedade civil para debater e promover ações de informação e combate à crise climática.


Segundo Michèle, o contexto atual da migração é diferente de todos os outros momentos da história, e só tende a piorar. Isto porque há um ‘boom’ de pessoas migrando, vítimas desta crise climática – apesar de ela já ser antiga. “A dimensão climática é antiga, contudo, pouco falada, pouco percebida e politicamente deliberadamente invisibilizada, porque ela mexe com lobbys tradicionais do petróleo, do agronegócio, então não é vantagem para o capital ficar falando”, contou ao Olhar Conceito.


Formada em Ciências Biológicas em São Paulo, mestre em Filosofia na Inglaterra, doutora em ciências pela Ufscar, pós-doutora em educação no Canadá e Espanha, Michèle segue a linha do químico holandês Paul Crutzen, vencedor do prêmio Nobel em 1995, quando nomeou a era geológica atual de ‘antropoceno’. “Chamar essa era de antropoceno é bastante interessante porque responsabiliza a humanidade sobre a terra”, afirma.



No entanto, atualmente, alguns teóricos – ela inclusa – já questionam o termo. “Ele é interessante, traz à baila a importância da humanidade no planeta, contudo, nós não somos iguais. Um fazendeiro que tem criação de gado e elimina gases do efeito estufa, não pode ser o mesmo causador da mudança climática que um trabalhador da periferia que tem poucas condições de fazer essa alteração. Então muitos teóricos, inclusive eu, estamos chamando isso de capitaloceno”.


Neste capitaloceno, segundo a pesquisadora, são a crise climática e as guerras híbridas que expulsam as pessoas de sua terra natal – mesmo que o próprio imigrante não diga isso. No caso dos haitianos, por exemplo, a justificativa é sempre a falta de emprego que, segundo ela, foi causada pela falta de água no campo e na cidade.


“Esse discurso você não vê só nos haitianos, que passaram um terremoto em 2010 que foi o divisor de água econômico daquele país. Se você se deslocar para a Venezuela, que até recentemente tinha uma qualidade de vida muito bacana: O que aconteceu que de repente virou refém de tanta pobreza? A exploração do petróleo. Então vem toda uma maquinaria dessa – que a gente está chamando de guerra híbrida agora – dos Estados Unidos sobre a Venezuela, e todas as armas coloridas que cercaram a economia”.


Uma projeção da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que, em um prazo de cinquenta anos, um bilhão de pessoas vão migrar. Segundo Michèle, o Brasil terá que se preparar para isso, já que grande parte destas pessoas desembarcará por aqui. “Você obstaculiza, por exemplo, em termos da entrada dos imigrantes no Brasil. O excessivo número de documentos exigidos para se entrar nesse país é completamente irreal daqui a no máximo 30 anos! Porque vai empipocar tanto desastre climático, que as pessoas vão fugir dos seus locais. E o Brasil não está preparado para receber esses migrantes sem documentação”, garante.


Como consequência, a atual visão do Brasil como um país acolhedor deve mudar. “O Brasil tende a ser mais xenófobo, a não acolher mais os imigrantes, porque vai aumentar bastante [o número]”, afirma Michèle. “Nós estamos passando por um período conturbado de uma crise verdadeira, global, universal, e os desastres vão acontecer, as migrações vão acelerar, vão se intensificar e vai vir muita gente para o Brasil”.


Dentro do Brasil, Cuiabá se destacará por não estar na costa: “A longo prazo, o Andes vai derreter, a água do mar vai levantar, o Atlântico vai subir. E aqui vai ser um lagoão na Amazônia. Então [a população de] países como Venezuela, Colômbia, Equador, vai vir para cá, e os povos amazônicos também”, lamenta.

Venezuelanos acampados na Rodoviária de Cuiabá (Foto: Wesley Santiago / Olhar Direto)

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho da Coalização do Clima em Mato Grosso pode acessar o blog da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (Remtea) AQUI, e acompanhar a pesquisadora em seu canal no Youtube.



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·        Aloisio Rusch
24 Jan 2020 às 18:44
O reconhecimento dos grandes dilemas já humanidade e de cada um de nós podem ser elucidados pelo perspicácia da análise de Michelle. Aliar a ciência à fé na ação politica .

Querido Aloisio
Agradeço o tempo dedicado à leitura e ao comentário, que me faz respirar melhor, sabendo de seu talento. Um fraterno abraço!

·        Marjorie
24 Jan 2020 às 17:08
Excelente análise, Michele. Parabéns! Não podemos fechar os olhos para esta , que é uma das questões cruciais de nossa época. Os impactos causados pelas mudanças climáticas são nefastos, ameaçando a vida humana e não humana no planeta. Não podemos esquecer que fenômenos climáticos já provocam migrações há muito tempo. Secas e inundações não começaram a acontecer agora, mas estão se agravando devido as mudanças climáticas. Alguns comentários fora de propósito que li aqui, são pessoas completamente ignorantes a respeito do assunto. Devem com certeza, acreditar que aquecimento global é " conspiração marxista" e coisas do gênero.

Querida Marjorie
Muito agradecida pela leitura e comentário. Temos que estudar as migrações nordestinas, que não recebeu este nome, mas que a seca expulsou muita gente...  Beijo!

·        Jessica Trujillo
24 Jan 2020 às 15:35
Matéria super interessante. Ainda temos muito à discutir e fazer. As ofensas de alguns comentários não ajudam em nada! Obrigada Michèle Sato, obrigada Olhar Conceito por abrir essa possibilidade de diálogo trazendo temas tão relevantes e invisibilizados.
Querida Jess
Grata pelas palavras, pela amizade, por estar do meu lado. BEIJÃO GRANDÃO pra vc e pra minha netinha Clara.
·         
·        Debora Moreira
24 Jan 2020 às 15:14
Muito preocupante o cenário que se avizinha, o colapso climático é uma realidade sentida em muitos países e inclusive no Brasil, os retirantes nordestino são exemplos disto. O triste é a ignorância e o egoísmo do "cidadão de bem", cegos pela fé. Bons "cristãos", que não se solidarizam com as injusticas e violações de direitos humanos.

Querida Debinha
Que me ensina muito e que comigo debateu sobre guerras híbridas e crise da Venezuela! Grata pela aprendizagem conjunta! Grata pela amizade! Beijo de carinho infinito.
·        João Figueiredo
24 Jan 2020 às 14:33
Precisamos ter a sabedoria necessária para verificar o que é verdadeiro diante do falso. Michèle Sato conhece bem sobre o que está falando. Fala de verdades experimentadas e não de falsas verdades elaboradas no vazio de vida. Precisamos usar a pedra de toque para reconhecer quantas falsas afirmativas e inverdades são propagandas em defesa de uma exploração desmedida da vida e das pessoas.

Querido Jão
Saudades! Deste teu sábio olhar sobre o mundo com fome de ajudar o mundo. Gratidão por todas as boas coisas como leitura, comentário e amizade!
·         
·        Maria Do Carmo
24 Jan 2020 às 14:15
Entender a interdisciplinaridade que envolve a pesquisa hoje, certamente é para poucos. A Prof Michele faz com maestria e harmonia uma discussão que vai além da interdisciplinaridade, por prever em seus argumentos o presente (vê Post) e para o futuro na área em que investigou. parabéns professora!!!!

Querida M. Carmo
Agradeço pelas belas palavras de encanto e estímulo! Me fez acreditar que sigo no caminho certo!
·         
·        Andreia Franceschetto
24 Jan 2020 às 14:04
Uma visão sempre sagaz e planetária Michèle!!! Seu protagonismo no embate climático e ambiental é muito importante não só pra MT. Na sua figura, da REmteA e todos que lutam pelas pautas ambientais e tem sido alvo de perseguições, isso só demonstra que estamos no caminho certo e podemos ser resistência junt@s!

Querida Dea
De mesmos amores felinos, plantas, pedras e mundo. Que bom ter você nos comentários! Muito obrigada sempre, querida amiga!
·        Tatiani
24 Jan 2020 às 13:55
Excelente matéria! Como é importante e fundamental os estudos, e pesquisas, acerca da temática da migração climática. Pois nosso planeta clama e sofre com as ações humanas e o capitalismo voraz de um sistema excludente e desigual. A ciência, as pesquisas irão contribuir com a sociedade! Triste em ver comentários maldosos, discriminatórios e xenofóbicos. Mais confiante que ninguém solta a mão de ninguém!

Querida Tati
Minha doce orientanda que esbanja charme e inteligência. Super comprometida e disciplinada nos estudos: tenho orgulho e carinho por ti! Agradeço seu comentário.
·        CRISTIANE CAROLINA DE ALMEIDA SOARES
24 Jan 2020 às 13:52
Agradeço a partilha dos conhecimentos de Michèle Sato, uma das grandes referências no estudo dos Fluxos Migratórios. Este tema é urgente, alarmante e precisa ser pautado em nossos debates.

Querida Cris
É mesmo muito importante, não é? Bem sabemos nas nossas noites de estudos e pesquisas sobre educação ambiental. GRATIDÃO pela amizade!
o    
·        Priscilla Amorim
24 Jan 2020 às 13:49
Ótima e precisa reflexão. Parabéns, Michèle por nos permitir compreender este assunto tão presente em nosso cotidiano de forma crítica e necessária...

Querida Pri
Agradeço sua presença, não somente neste comentário, mas na minha vida. Tenho muito orgulho e carinho e estou feliz em caminhar contigo neste seu doutorado!
·        Ana Maria D. Soares
24 Jan 2020 às 13:22
Excelente entrevista. Claro, objetivo e coerente o posicionamento da prof° Michele Sato, pesquisadora de renome nacional e internacional, que sempre contribui para fortalecer a luta em defesa da vida neste planeta tão castigado pela ambição dos que não querem perceber o caos instalado.

Querida Ana
Doçura de amiga querida, sempre presente na minha vida! Agradeço a força Ana, penso ser importante “disputar” estes espaços por meio da nossa EA.
·        Valquíria
24 Jan 2020 às 12:54
Diante da excelente entrevista e de alguns comentários absurdos é preciso pacientemente refletir na perspectiva educadora: Então para comentar algo é necessário primeiro ler a matéria e entendê-la, se não sabe algo com profundidade procure buscar, pesquisar sobre, aprofundar e principalmente se ficou com alguma dúvida, ou se discorda de algum ponto, especialmente se vai discordar de alguém que é pesquisadora e especialista na área. Para não ficar pagando mico ou só destilando ódio pelo ódio e sem compreender o que está de fato falando, aliás, essa é uma estratégia adotada nas redes sociais de quem não sabe exatamente o que dizer, que não tem nenhum argumento sólido. Excelente e necessária a entrevista da professora Miclêle, quem respeito profundamente por toda sua atuante trajetória socioambiental. Necessária! Para que se entenda as causas dentro de um sistema destruidor globalizante as causas que vão sendo sentidas e reveladas em.diferentes proporções e em diferentes lugares do mundo. Mudanças socioambientais globais e uma das consequências é a migração é a disputa por territórios menos atingidos ou mesmo aqueles que irão se modificar e que irão oferecer outras condições de subsistência. E a causa ni final das contas é o uso dos combustíveis fósseis dentro de toda a lógica

Querida Val,
Que tem partilhado várias emoções nestes últimos tempos! Agradeço suas palavras, leitura e carinhosa “defesa”. Que bom ser sua amiga!

·        Suzani
24 Jan 2020 às 11:28
Maravilhosa matéria! Muito obrigada

Querida Suzani
Super grata pelo comentário! Um beijo doce

·        Terezinha Marisa
24 Jan 2020 às 11:25
Michele Sato é uma referência e sabe o que está falando, é preciso acabar com essa cultura do ódio pelo ódio.

Querida Tere,
Temos mesmo que transmudar esta força do ódio pela energia que tempera nossas lutas! Muito obrigada pela leitura, carinho e amizade.

·        MARILIA FREITAS DE CAMPOS TOZONI REIS
24 Jan 2020 às 11:20
Boa e importante análise.

Querida Marília
Adorei sua presença, você é massa! Beijo com gratidão!

·        Terezinha Marisa
24 Jan 2020 às 09:55
É preciso modificar essa cultura do ódio, que não acrescenta em nada. Todo esse processo não é construtivo e não auxilia nas discussões sobre um tema tão importante.

Querida Tere,
Verdade! Mas vamos seguindo pq a Terra tem pressa!
·        Angelica cosenza
24 Jan 2020 às 09:35
Parabéns Michele...seu texto esclarece a relação entre capitalismo e mudanças climáticas, assim como os efeitos às populações e comunidades já tão afetadas pela desigualdade e pobreza. Não é a toa que sua produção e você seguem cada vez mais respeitadas no Brasil e exterior. Viva a ufmt também , Universidade pública que nos honra com seu compromisso social... sigamos firmes sem nos deixarmos abalar pela falta de conhecimento e ignorância que nos ronda.

Querida Angel
Acho que já tínhamos iniciado este papo há um tempo, sempre bom renovar nossos esforços para divulgar na mídia. Adorei seu comentário, você é sempre certeira! Grata e beijinho
·        Mauro
24 Jan 2020 às 09:00
É o egoísmo ao pensar em excluir o outro, seres humanos em dificuldade em países empobrecidos, que tem levado a esse mundo cada vez mais violento e degradado eticamente. A falta de solidariedade humana nesses comentários, demonstra essa decadência moral que estamos vivendo.

Querido Mauro
Você vem que das bandas da Espanha sabe dizer como a migração tem gerado tristezas... Vamos precisar de muita força para reconstruir este planeta! Grata!!!
·        Liane
24 Jan 2020 às 08:36
Os comentários aqui publicados demonstram pelo menos dois problemas: (1) a falta de capacidade de interpretação e entendimento dos leitores e leitoras (2) o ideologismo cego dos que preferem ignorar as consequências que resultam deste modelo político e econômico insustentável que domina o planeta. É realmente lamentável...

Querida Liane
Lamentável mesmo, mas vamos em frente porque a Terra precisa de nós e de seu talento, dedicação e compromisso. Grata por tudo!
·        Glauco Villas Bôas
24 Jan 2020 às 08:18
Fico preocupado com a maioria dos comentários sobre está excelente entrevista. É impressionante como as pessoas não conseguem evoluir além de um pensamento binário , o bem e o mal, esquerda direita e consequentemete agridem tudo aquilo que não está ao alcance de sua percepção limitada. É uma pena Michele que isto aconteça. Quando já não houver mais tempo para uma reflexão e compreensão da necessidade de mudanças sérias do modo de produção e consumo para salvar a vida no planeta, estas pessoas provavelmente estarão sorrindo para selfies, numa praça de alimentação do seu shopping, num intervalo de compras de produtos de marca ou do celular de última geração. Como disse Georgescu Reagen : as amebas restarão e agradecerão por bilhões de anos a energia que vem do sol

Querido Glauco
De amebas a dinossauros, temos que ter paciência de Jó com certas ignorâncias e mal costumes, parece que ninguém se importa mais em ser mal-educado, duvidam das ciências, menosprezam pesquisas... Vamos ter que dar duro!!! Grata pelo apoio!
·        Celso
24 Jan 2020 às 08:12
Excelente matétia , fundamental discussão e evidencia o papel essencial que a imprensa tem nesse momento de obscurantismo. A tese da Professora se confirma nos comentários agressivos xenofóbicos e tapados. Há uma evidente ação articulada nestes comentários. Vivemos tempos sombrios e certamente o clima vai esquentar. Parabens à Olhar Conceito

Querido Mano Celso
Amigo, parceirão, meu irmãozinho! Grata-grata-grata! Você é tudodibom na minha vida!
·         
·        Antônio Fernando Silveira Guerra
24 Jan 2020 às 06:40
É impressionante tanta ignorância, argumentos sem um único fundamento e as agressões e ódio que algumas pessoas expressam gratuitamente para ofender uma pesquisadora reconhecida no país e no mundo Segue a vida professora Michèle Sato. Cumprisse tua missão de educadora. Acreditando ou não em aquecimento global e na crise climática, e lembrando o poeta Mário Quintana, "Eles passarão, eu passarinho".
Querido Guerreiro
Agradeço muito você ter feito a leitura, ter comentado e mais do que isso, ter feito um movimento bonito de defesa! Grata sempre por todas as brisas boas que só vc sabe assoprar com talento, paixão e ação!
  • Zeca
    23 Jan 2020 às 12:37
    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.
  • bom senso
    23 Jan 2020 às 09:13
    Discordo. Os venezuelanos não fugiram de adversidades climáticas. Os muçulmanos brigam internamente em seus países e fogem para outros países. Isso não é correto. Cada um que resolva seus problemas dentro de seus países. Se o problema for climático, peçam socorro para a ONU para implantar sistemas de irrigação e resolver os problemas. Se os problemas dos imigrantes fosse climático, os australianos estariam abandonando o país em massa.
  • Zeca
    23 Jan 2020 às 09:11
    Matéria sem aproveitamento. Essa mulher fala sem nenhum fundamento. Conversa fiada blá, blá, blá de professor metido a intelectual.
  • Jr
    23 Jan 2020 às 07:45
    Êta fuminho bão
  • Walter
    22 Jan 2020 às 23:24
    Deixa eu ver se entendi, a nobre "historiadora" afirma que devido a crise climática vão aumentar as imigrações, e que os refugiados vão fugir para Cuiabá? Essa pessoa só pode estar de brincadeira. Se quando em cheguei no mato grosso em 1987 já era quente toda vida, e os mesmo cientistas dizem que tem subido 1°C por década, então Cuiabá está 3 graus mais quente. Como alguém fugiria do aquecimento global para o lugar mais quente do planeta? Parei de ler a matéria ali. Não dá pro meu limitado entendimento aceitar

  • Al Yetter
    22 Jan 2020 às 22:08
    Very well written and thought provoking, Mimi...Unfortunately, no one will act...
  • Paolo
    22 Jan 2020 às 21:39
    Brasil já sem emprego pra 12 milhões e ainda vem neguinho de fora pá acaba de esculhambar...tá uma beleza.
  • Cesar
    22 Jan 2020 às 21:19
    Mais uma profeta do apocalipse. Só não entendi porque utilizar a foto de venezuelanos pra falar de tragédia ambiental... venezuelanos estão fugindo da miséria resultante dos governos de Hugo Chaves e Nicolás Maduro.....
  • Domenico
    22 Jan 2020 às 20:27
    Pegue seu chapéu de alumínio e me acompanhe nessa viagem incrível!
  • alexandre
    22 Jan 2020 às 20:26
    Misturar clima com teoria socialista, nada a ver..os socialista também queimam combustível fóssil.sempre UFMT
  • Victor
    22 Jan 2020 às 19:55
    Ué.. vão vir para o Brasil, logo aqui que "tanto destruímos o meio ambiente, que vivemos em uma ditadura"... Mimimimi
  • Kleber Venâncio
    22 Jan 2020 às 17:50
    "...distopico...". . Mi-mi-mi.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Benin City: el epicentro de la trata en Nigeria


https://elpais.com/internacional/2019/02/11/actualidad/1549893160_671282.html#?id_externo_nwl=newsletter_global20190219m

Benin City: el epicentro de la trata en Nigeria

La desigualdad, la explotación y la magia negra encierran a miles de mujeres en este tráfico de personas con destino Europa

Una exprostituta nigeriana, en un centro social próximo a Catania de apoyo a víctimas de trata, en 2016.
Una exprostituta nigeriana, en un centro social próximo a Catania de apoyo a víctimas de trata, en 2016. REUTERS
Solange saca un rosario del bolso y lo aprieta antes de comenzar en voz alta la plegaria. Hay musulmanes y cristianos, pero el objetivo es el mismo: pedir protección para un viaje de no más de seis horas por una de las regiones más verdes y frondosas del país. Pero también, una de las más inseguras por peligro de secuestros y asesinatos. El minibús de 16 plazas serpentea los 29 puestos de control que el Ejército nigeriano tiene instalados en la carretera que sale de Port Harcourt, en el Delta del Níger, en su ruta hacia Benin City, más al noroeste, en dirección hacia Lagos, la capital económica de Nigeria, la primera potencia africana, que el próximo 16 de febrero elige presidente. Los soldados armados inspeccionan los vehículos. Los pasajeros callan. Miran al suelo. Todo en orden. El conductor arranca y vuelve a subir el volumen de la serie Los corruptos, que se proyecta en la televisión del vehículo y que es interpretada por la pareja de gemelos más famosa del país. Hace tan solo una semana que la policía ha declarado el Estado de emergencia en esta carretera que se dirige hacia el corazón del Estado de Edo, epicentro de la trata sexual con destino Europa.
Benin City: el epicentro de la trata en Nigeria
Edo, junto a los Estados de Rivers y Bayelsa, en el suroeste nigeriano, frente al golfo de Guinea,  se enfrentan a una situación de desamparo, una violencia estructural causada por las duras condiciones de sus habitantes, dependientes de la agricultura y sometidos a una suerte de reinos de taifas donde varios grupos con armamento sofisticado y tácticas de guerrillas presionan a los diferentes gobiernos para controlar el flujo de petróleo que circula por el subsuelo. Pero también por la inactividad política durante el periodo de legislatura que condena al olvido a esta región.
"Me engañaron. Creía que mi paso por Libia sería cuestión de días, pero tuve que estar trabajando como esclava sexual durante tres años"
ALICE, NIGERIANA VÍCTIMA DE LA ESCLAVITUD SEXUAL
Una violencia que se reproduce sistemáticamente contra las mujeres. Marie Lensel, coordinadora de proyectos de Médicos Sin Fronteras en Port Harcourt, explica que la situación es muy delicada. “Cada día", señala Lensel, "nos llegan casos de mujeres violadas, abusos físicos, y adolescentes que se han quedado embarazadas y que representan un estigma para sus familias”.
El corazón de esta trata sexual se encuentra en Benin City, capital de Edo, de mayoría cristiana. Según la Organización Internacional para las Migraciones (OIM), desde abril de 2017 hasta la fecha, se ha ayudado a más de 10.000 migrantes nigerianos irregulares a regresar a sus hogares procedentes de Libia, de los que el 48% son del estado de Edo. Ya en 2017, la misma OIM alertaba de que la cifra de posibles víctimas de trata sexual que estaban llegando a Italia por las rutas migratorias había aumentado en el periodo 2014-2016 un 600%. La mayoría provenía de Nigeria. Las jóvenes de este país africano que habían sufrido el periplo hasta el país transalpino había crecido de 1.454 en 2014 a 11.009 en 2016. Y el 80% de estas chicas, de edades entre 13 y 24 años, eran según valoraba la OIM, víctimas potenciales del tráfico con fines sexuales.
Así lo confiesa Alice, de 23 años, recién llegada desde Trípoli, Libia, junto a su bebé de dos meses fruto de una violación: “Me engañaron. Creía que mi paso por Libia sería cuestión de días, pero tuve que estar trabajando como esclava sexual durante tres años. Todavía no he podido avisar a mi familia porque tengo vergüenza de que no me acepten como madre soltera”.
Quien conoce bien esta realidad en Edo es la hermana Florence, de la congregación Hermanas del Sagrado Corazón de Jesús. Antes de ser monja trabajaba como abogada por los derechos de los más vulnerables y ahora no se amilana al señalar con el dedo. Nigeria ha crecido rápidamente para convertirse en la economía más grandes de África, pero la desigualdad también ha aumentado. “Generaciones de mujeres de Edo”, dice la hermana Florence, “han trabajado como prostitutas, de forma voluntaria o involuntaria, en Europa, enviando remesas del trabajo sexual que cubren la economía local. Está tan arraigado que los funcionarios han sido testigos de familias que trafican con sus hijas, con la expectativa de que se beneficiarían de las ganancias de las niñas”, explica mientras toma declaraciones a los repatriados que acaban de llegar.

Destino Italia

Muchos de los desafíos a los que se enfrenta Nigeria y que el próximo presidente tendrá que afrontar tienen una raíz extranjera. “En el caso de la trata sexual, Italia es el principal país receptor de trabajadoras sexuales procedentes de Benin City. Si esto ocurre es porque hay demanda. Hay engaños y mafias organizadas que han creado un puente peligroso y que está desestructurando nuestras sociedades”, se lamenta Gloria Omorwy, editora jefa del diario local Sunday Observer.
"Muchas de nosotras no queremos vender nuestro cuerpo para tener que ahorrar algo de dinero"
VANESSA, NIGERIANA DE 22 AÑOS
Una realidad que ha plasmado la periodista norteamericana con residencia en Roma Barbie Latza en su libro Hoja de ruta al infierno. Sexo, drogas y armas en la costa de la mafia. Según Latza: “Muchas víctimas de tráfico sexual ven maniatado su destino en Italia de dos maneras: la maldición de Juju o magia negra y el abono de las deudas a las madames, a quienes deben pagar por haber llegado a Europa”. El respeto al poder tradicional del Oba, el rey del antiguo Imperio de Benín, está presente en cada esquina, aunque su pasado glorioso se ha perdido en la historia. Aún así, en marzo del pasado año, el actual Oba, Ewuare II, promulgó un decreto contra el tráfico de personas y trató a través del vudú de forzar a las víctimas del tráfico sexual a no pagar la deuda a las mafias.
“La narrativa de la magia negra es muy suculenta para Europa, pero los poderes tradicionales también están tratando de revertir la trata sexual sin perder tiempo en maldiciones”, explica Emmanuel, investigador y periodista, desde Igun Street, calle patrimonio de la UNESCO donde se pueden comprar bustos del Oba en bronce. Desde uno de estos pequeños comercios, Vanessa, de 22 años, habla de la prostitución de una amiga. “Mira, me crié junto a Clarice”, explica mientras muestra la foto de perfil de su amiga en Facebook, “y ahora se encuentra en Roma trabajando como prostituta. Su familia también lo sabe. Pero muchas de nosotras no queremos vender nuestro cuerpo para tener que ahorrar algo de dinero. Si algún día voy a Europa trabajaré en todo caso haciendo trenzas a nuestras paisanas”.
Como afirmó recientemente el nigeriano Wole Soyinka, primer africano en ganar el Premio Nobel de literatura: “Nigeria necesitaba una transformación radical para las próximas elecciones y comenzará con los jóvenes. Les sigo diciendo que combinen sus fuerzas, que no se desesperen y que, sobre todo, se movilicen para cambiar las cosas”.

O Observatório da Educação Ambiental Brasileira Michèle Sato não foge à luta pela soberania brasileira!! Dizemos não ao imperialismo que per...