de autoria dos professores e pesquisadores Michèle Sato, Déborah M. Santos e Celso Sánchez.
A publicação traz discussões sobre a pandemia do novo coronavírus sob as óticas ambiental, sociológica, política e artística.
“Preocupados com a pandemia, sobretudo porque há muito desconhecimento da causa, resolvemos criar nosso caderno de balbúrdia. Além do vigor de vírus e morcegos, deixamos nosso olhar político sobre o mundo e adicionamos alguns sonhos ao amanhã pelas mãos da educação ambiental”,
informa a mensagem divulgada pelos autores.
O livro levanta questões sobre a natureza e funcionamento dos vírus e a relação entre o morcego ferradura e o novo coronavírus que se espalhou pelo mundo. Para além disso, a publicação discute a crise global de saúde sob a perspectiva sociológica e cultural de povos indígenas, como os Huni Kuin (Kaxinawa), do estado do Acre.
“A antropóloga Els Lagrou (2020), narra maravilhosamente bem sobre a história dos morcegos na tribo Huni Kuin do Acre. Este povo acredita que os humanos adoecem porque ingerimos outros seres, e a natureza lança uma espécie de feitiço “nisun”, que resulta em doenças e mortes. As pandemias não são causadas por vírus ou morcegos, senão pela própria humanidade que maltrata a floresta, desmata, queima e causa fissuras que possibilitam que as espécies fujam e disseminem doenças ao mundo inteiro”, traz um trecho da obra.
O mito do nisun não apresenta uma verdade científica, mas nos faz refletir sobre os valores e atitudes que o ser humano estabelece com aos animais e ao meio ambiente.
Também são tema de discussão isolamento social, sustentabilidade, ética, civilidade e Capitalismo. Com a ajuda de reflexões de pensadores renomados, os autores trazem suas próprias considerações sobre o atual sistema econômico mundial e suas consequências para os mais pobres durante períodos de emergência global como o atual.
Governo Bolsonaro muda edital e passa a permitir erros e propagandas em livros didáticos
Renata Cafardo
09
Janeiro 2019 | 12h52
O governo de Jair Bolsonaro mudou em 2 janeiro o edital para os
livros didáticos que serão entregues em 2020. Não será mais necessário
que os materiais tenham referências bibliográficas. Também foi retirado o
item que impedia publicidade e erros de revisão e impressão.
O
Ministério da Educação (MEC) compra livros didáticos para todas as
escolas públicas do País, o que garante o faturamento de muitas
editoras. São comprados cerca de 150 milhões de livros por ano, com
custo de R$ 1 bilhão. As mudanças foram feitas no programa cujos livros
serão comprados para o ensino fundamental 2 (6º a 9º ano).
Os livros, no entanto, já foram enviados em novembro ao MEC para
avaliação. Agora, editoras temem que seus livros sejam reprovados.
Fontes do setor ouvidas pelo Estado temem materiais de baixa qualidade
sejam aprovados. O processo de avaliação dos livros se dará ao longo do
primeiro semestre e as empresas serão comunicadas se seus livros serão
ou não comprados pelo governo federal.
O Programa Nacional do
Livro Didático (PNLD) foi se tornando, ao longo dos anos, muito rígido
na escolha dos livros, o que era elogiado no meio. Por exemplo,
materiais que tivessem erros em mais de 10% das páginas eram
desclassificados. Agora, na parte que se refere à “adequação da
estrutura editorial e do projeto gráfico” o item L que dizia que a obra
deveria “estar isenta de erros de revisão e /ou impressão” foi
retirado.
PNLD, do MEC, compra livros para todas as escolas do País FOTO: Nilton Fukuda/Estadão
A não exigência também abre espaço para conteúdos que não sejam
baseados em pesquisas, já que não há necessidade de citação da origem do
conteúdo.
O item sobre propagandas retirado do edital mencionava que as obras
não podiam ter “publicidade, de marcas, produtos ou serviços
comerciais”. Dessa maneira, não era permitido incluir ilustrações, mesmo
que para análise de texto, por exemplo, de um anúncio publicitário
verdadeiro.
Também foi retirada a exigência de que as ilustrações retratem
“adequadamente a diversidade étnica da população brasileira, a
pluralidade social e cultural do país”. Ou seja, as figuras presentes
nos livros didáticos não precisariam mais, por exemplo, mostrar negros,
brancos e índios. Um livro com apenas ilustrações com crianças brancas
seria aprovado.
Antes da posse da Bolsonaro, editoras já manifestavam receio
com a política que viria com relação aos livros didáticos. Isso porque o
general Aléssio Ribeiro Souto, que fazia parte do grupo que discutia
educação no futuro governo, disse em entrevista ao Estado, que era “muito
forte a ideia” de se fazer ampla revisão das bibliografias para evitar
que crianças sejam expostas a ideologias e conteúdo impróprio. Afirmou ainda que os professores deveriam contar a “verdade” sobre o “regime de 1964”.
Fontes do setor acreditam que a medida pode trazer também insegurança
jurídica. Isso porque a mudança foi feita com o processo em andamento.
Uma editora que não havia apresentado seu livro ao MEC por não estar de
acordo com o edital anterior pode agora entrar na Justiça e pedir para
ser aceita. Outras que se esforçaram para se adequar às exigências de
qualidade também podem questionar o processo.
O livro é fabuloso. Parabéns!
Um grande abraço.