terça-feira, 31 de março de 2020

MORIN: Sentir mais do que nunca a comunidade de destino de toda a humanidade



Entrevista de Edgar Morin feita por Simon Blin no Jornal francês Libération em 27 de março de 2020. Disponível em: https://www.liberation.fr/debats/2020/03/27/edgar-morin-ressentir-plus-que-jamais-la-communaute-de-destins-de-toute-l-humanite_1783400
Título original: “Ressentir plus que jamais la communauté de destins de toute l’humanité”
Título em português: Sentir mais do que nunca a comunidade de destino de toda a humanidade

 Tradução livre feita por: Samuel Lopes Pinheiro[1]





Quase centenário, o sociólogo, eterno otimista, vê o confinamento como uma oportunidade inesperada para regenerar a própria noção de humanismo, mas também para que cada um opere uma triagem entre o importante e o frívolo.
Confinado, ele diz que se sentiu "psiquicamente projetado em uma comunicação e comunhão permanentes" com o mundo ao qual ele permanece virtualmente conectado. Ele que sempre viveu plenamente, cujo século de existência é composto de deslocamento perpétuo e compromissos políticos e intelectuais. Nascido em 1921, Edgar Morin, sociólogo, filósofo, "humanólogo", diz ele, escritor mundialmente famoso, pensador de "complexidade" com trabalhos abundantes e abrangentes (O Método é sua principal obra), viveu a resistência, cruzou o século XX entre admiração e revolta. Ele olha para essas duas semanas loucas que vimos o mundo inteiro afetado pela disseminação do Coronavírus e depois o direcionamento ao confinamento generalizado. O diretor emérito de pesquisa do CNRS, com quase um século de idade, com otimismo inabalável e um olhar luminoso, vê neste momento de parada planetária a oportunidade de uma "crise existencial salutar".

“Como você vive esse momento inédito e grave?”
Estamos sujeitos ao confinamento físico, mas dispomos de meios para nos comunicar com palavras que nos colocam em comunicação com os outros e com o mundo. Nesta fase, em reação ao confinamento, nós nos abrimos, estamos mais atentos e unidos uns aos outros. São os solitários sem telefone ou TV, e especialmente os não confinados, ou seja, os sem-teto, muitas vezes esquecidos pelo poder e pela mídia, que são as vítimas absolutas do confinamento. No que me diz respeito, senti-me participando intensamente, ainda que apenas por confinamento, no destino nacional e no cataclismo planetário. Eu me senti projetado mais do que nunca, na incerta e desconhecida aventura de nossa espécie. Eu senti a comunidade de destino de toda a humanidade, de maneira mais forte do que nunca.

“Como você descreveria essa crise na história pela qual você atravessou?”
Atualmente, estamos em uma crise tripla. A crise biológica de uma pandemia que ameaça indiscriminadamente nossas vidas e transborda as capacidades hospitalares, especialmente quando as políticas neoliberais as reduzem continuamente. A crise econômica resultante das medidas restritivas adotadas contra a pandemia e que, retardando ou interrompendo atividades produtivas, de trabalho, de transporte, sóirão agravar se o confinamento se mantiver. A crise da civilização: subitamente passamos de uma civilização da mobilidade para uma obrigação de imobilidade. Vivíamos principalmente fora, no trabalho, no restaurante, no cinema, em reuniões, em festas. Aqui somos forçados a um estilo de vida sedentário e de privacidade. Consumimos sob a influência do consumismo, ou seja, o vício em produtos de qualidade medíocres e virtudes ilusórias, o estímulo ao aparentemente novo, em busca do mais, e não do melhor. O confinamento poderia ser uma oportunidade para a desintoxicação física e mental, que permitiria selecionar o importante e rejeitar o frívolo, o supérfluo e o ilusório. O importante é obviamente o amor, a amizade, a solidariedade, a irmandade, o desenvolvimento do Eu em um Nós. Nesse sentido, o confinamento poderia dar origem a uma crise existencial salutar na qual refletiríamos sobre o significado de nossas vidas.

“Diante da pandemia, todo o nosso sistema foi abalado: saúde, política, economia e democracia. Seu trabalho intelectual consistiu precisamente em pensar a complexidade e a transdisciplinaridade.”
Essas crises são interdependentes e se nutrem. Quanto mais uma piora, mais agrava as outras. Se uma diminui, diminui as outras. Além disso, enquanto a epidemia não regredir, as restrições serão cada vez mais sensíveis e a contenção será experimentada cada vez mais como um obstáculo (de trabalhar, praticar esportes, ir a reuniões e shows, tratar o ciático ou dentes). Mais profundamente, essa crise é antropológica: revela-nos a face aleijada e vulnerável do formidável poder humano, revela-nos que a unificação tecnoeconômica do globo criou ao mesmo tempo uma interdependência generalizada, uma comunidade de destino sem solidariedade.

“É como se o mundo não entrasse mais nas nossas grades de análise. Os marcos intelectuais também são abalados.”
Essa policrise deve provocar uma crise de pensamento político e do pensamento em si. A fagocitose do político pelo econômico, a fagocitose do econômico pela ideologia neoliberal, a fagocitose da inteligência reflexiva pelo cálculo, tudo isso nos impede de conceber os imperativos complexos que são impostos: combinando assim a mundialização por tudo o que é cooperativo e uma desmundialização (para salvar territórios desertificados, autonomia alimentar e sanitária das nações); combinar desenvolvimento (que inclui o positivo, do individualismo) e envolvimento (que é solidariedade e comunidade); combinar crescimento e decrescimento (determinando o que deve crescer e o que deve diminuir). O crescimento carrega vitalidade econômica, o decrescimento carrega salvação ecológica e despoluição generalizada. A associação do que parece contraditório é logicamente necessária aqui.

“Nossa capacidade de "viver juntos" é severamente testada. Esta é uma oportunidade para reconstruir um novo humanismo, restaurar os fundamentos de uma vida comum mais unida em escala planetária?”
Não precisamos de um novo humanismo, precisamos de um humanismo atualizado e regenerado. O humanismo assumiu duas faces opostas na Europa. A primeira é a da quase-deificação do humano, dedicado ao domínio da natureza. O outro humanismo foi formulado por Montaigne em uma frase: "Eu reconheço em todo homem meu compatriota". Devemos abandonar o primeiro e regenerar o segundo.
A definição do humano não pode ser limitada à ideia do indivíduo. O humano é definido por três termos como inseparáveis ​​um do outro como os da trindade: o humano é ao mesmo tempo um indivíduo, numa parte, um momento da espécie humana noutra parte, e também um momento de uma sociedade. É ao mesmo tempo individual, biológico, social. Doravante, o humanismo não pode ignorar nosso vínculo umbilical com a vida e nosso vínculo umbilical com o universo. Ele não pode esquecer que a natureza está tanto em nós, quanto nós na natureza. A base intelectual do humanismo regenerado é a razão sensível e complexa. Não apenas devemos seguir o axioma "sem razão sem paixão, sem paixão sem razão", mas nossa razão deve estar sempre sensível a tudo que afeta os seres humanos.

“Isso implicaria uma inversão dos valores do mundo em que vivíamos antes do coronavírus”
O humanismo regenerado parte conscientemente das fontes da ética, presentes em toda a sociedade humana, que são a solidariedade e a responsabilidade. Solidariedade cria responsabilidade e responsabilidade gera solidariedade. Essas fontes permanecem presentes, mas parcialmente desidratadas e secas em nossa civilização por conta do efeito do individualismo, a dominação do lucro, a burocratização generalizada. O humanismo regenerado é essencialmente humanismo planetário. O humanismo anterior desconhecia a interdependência concreta entre todos os seres humanos, que se tornou uma comunidade de destino criada pela mundialização e que está aumentando constantemente. Como a humanidade está ameaçada por perigos mortais (multiplicação de armas nucleares, desencadeamento de fanatismos e multiplicação de guerras civis internacionalizadas, degradação acelerada da biosfera, crises e distúrbios de uma economia dominada por uma especulação financeira desencadeada), o que se acrescenta agora a pandemia viral que aumenta todos esses perigos, a vida da espécie humana e, inseparavelmente, a da biosfera se torna um valor prioritário.

“Essa mudança é fundamental?”
Para que a humanidade sobreviva, ela deve se transformar. Jaspers disse logo após a Segunda Guerra Mundial: "Se a humanidade quer continuar vivendo, deve mudar". O humanismo, em minha opinião, não é apenas a consciência da solidariedade humana, é também a sensação de estar dentro de uma aventura desconhecida e incrível. Dentro dessa aventura desconhecida, cada um faz parte de um grande ser composto por sete bilhões de seres humanos, como uma célula faz parte de um corpo entre centenas de bilhões de células. Todo mundo participa dessa infinidade, dessa incompletude, dessa realidade tão fortemente tecida de sonhos, desse ser de dor, alegria e incerteza que está em nós como nós estamos nele. Cada um de nós faz parte desta aventura incrível, no sentido mesmo da incrível aventura do universo. Ela traz consigo sua ignorância, seu desconhecido, seu mistério, sua loucura em sua razão, sua inconsciência em sua consciência, e cada um carrega em si mesmo, a ignorância, o desconhecido, o mistério, a loucura, a razão da aventura mais incerta do que nunca, mais aterrorizante do que nunca, mais emocionante do que nunca.


[1] Samuel Lopes Pinheiro - Doutorando em Educação Ambiental pelo PPGEA/FURG. Está atualmente em período sanduíche em Paris, França. Participa de INSPE (Institut Nacional Supérieur de Professorat et de l’éducation), vinculado a Paris-Sorbonne e do laboratório de pesquisa COSTECH da Université de Technologie de Compiégne.  O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

AP - Amor e revolução

I Jomalismo




Amor e revolução

Resumo:
Aos 80 anos, Angela Mendes de Almeida conta sua busca pela verdade sobre a morte do companheiro assassinado aos 23 anos pela ditadura, o jornalista Luiz Eduardo Merlino
Por Marina Amaral
Conheci Angela Mendes de Almeida, aos 80 anos, quando ela terminava seu oitavo livro, “Do partido único ao stalinismo”. Mestre em História e doutora em Ciência Política pela Universidade de Paris VIII, sua trajetória sempre uniu ação à reflexão, militância e produção acadêmica. Ao abraçar o sonho da revolução, em 1965, quando era estudante de Ciências Sociais na famosa rua Maria Antônia, em São Paulo, Angela encontrou também o amor, unindo-se ao jovem jornalista Luiz Eduardo Merlino, companheiro de militância, brutalmente assassinado pela ditadura militar em 1971.
A dor de Angela foi ainda maior pela falta de notícias. Procurada pela repressão depois de duas prisões, ela estava clandestina em Paris, junto com Merlino, que ainda usava seus documentos verdadeiros. Planejavam voltar ao Brasil e seguir na luta contra a ditadura, mas Merlino veio antes para preparar a volta dela. Mal pisou em solo brasileiro, foi arrastado pelos agentes da repressão da casa da mãe dele e torturado até a morte, provocada por uma gangrena não tratada decorrente dos ferimentos.
Angela só descobriu que ele havia sido morto um mês e meio depois. Impossibilitada de voltar ao Brasil, transformou o luto em uma odisseia de militância latino-americana, sempre clandestina. E nunca desistiu de buscar a verdade sobre Merlino, morto sob tortura no DOI-CODI pelas mãos da equipe do general Brilhante Ustra.
Quando voltou ao Brasil, depois da anistia, ela militou nos grupos Tortura Nunca Mais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, e foi precursora da luta pelos torturados na democracia: os presos comuns, os adolescentes em conflito com a lei, fundando o Observatório das Violências Policiais, integrado ao Centro de Estudos da América Latina da PUC-SP. Junto com a família de Merlino, também travou uma batalha ferrenha na Justiça para que o Estado reconhecesse o crime praticado contra o companheiro amoroso.
Angela Mendes de Almeida era companheira de Luiz Eduardo Merlino, torturado e assassinado pela ditadura militar
Escrever seu perfil para o livro “Heroínas desta História”, a convite de Carla Borges e Tatiana Merlino, organizadoras da obra feita em parceria entre o Instituto Vladimir Herzog e editora Autêntica, foi uma experiência reveladora da força, da coragem e da inteligência das mulheres que lutaram por justiça para seus familiares mortos pela ditadura ainda incensada pelo presidente Jair Bolsonaro.
Acompanhem os trechos publicados abaixo.
‘“Foi a militância que nos uniu nesse momento em que estávamos prontos para tudo”, resume Angela sobre a relação com Merlino. Não era um casamento convencional, o que seria considerado “burguês” pelo casal de revolucionários. Afinal, eles já estavam namorando quando ela enfrentou sua primeira prisão, em meados de 1968, durante a ocupação da FFCL/USP em protesto contra o assassinato do estudante Edson Luís, no Rio de Janeiro, que meses mais tarde se desdobrou no conflito que ficou conhecido como a Batalha da Maria Antonia, a rua onde ela mora.
Sequestrada por policiais, passou a noite na delegacia da rua Tutóia, que depois se tornaria a sede do DOI-CODI paulista. Não poderia imaginar que, três anos depois, aquele seria o quartel-general dos algozes de seu companheiro. Naquele momento, eles eram Taís e Nicolau (codinomes que adotaram), dois jovens apaixonados e convencidos da inevitabilidade da revolução.
A segunda prisão veio no mesmo ano, quando Angela participava do famoso Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna, no interior de São Paulo, que acabou com a dantesca prisão de mais de 700 estudantes enlameados. Entre os comandantes da operação estava o delegado José Paulo Bonchristiano, a quem ela tinha conseguido enganar em sua primeira prisão. “Quando fui interrogada por ele no DOPS, me fiz de boba, disse que estava ali por causa de um cara, e ele acreditou, disse que eu deveria deixar o cabelo crescer e usar saias em vez de calças compridas”, relembra.
Dessa vez, o delegado não a viu, mas isso não impediu que ela fosse presa, fichada e, mais tarde, condenada como os outros estudantes. Merlino, que oficialmente cobria o evento como jornalista, foi detido e transferido para o presídio Tiradentes, mas conseguiu publicar sob pseudônimo uma reportagem na Folha da Tarde, contando o que havia se passado. Os dois foram soltos, mas a situação do país só se agravaria a partir dali: menos de dois meses depois, em dezembro de 1968, o Ato Institucional Número Cinco (AI-5) desabou sobre os cidadãos brasileiros, fechando o Congresso, retirando os direitos políticos, instaurando a censura. A universidade foi invadida, professores foram cassados. A ditadura assumia sua cara mais feia.”

Merlino vem na frente, Angela só viria 11 anos depois

O perfil de Angela Mendes de Almeida faz parte do livro “Heroínas desta história – Mulheres em busca de justiça por familiares mortos pela ditadura”
“Merlino não chegou a participar de nenhuma ação armada, embora tivesse carregado de balas um velho revólver do pai de Angela para qualquer eventualidade. Do doutor Fernando, ele também havia herdado uns óculos grandes de aro de tartaruga. Foram esses óculos que alertaram Leane Ferreira de Almeida, militante do POC, para a presença de Nicolau no inferno em que ela se já encontrava: o DOI-CODI de São Paulo. Ela havia sido presa no dia 15 de julho de 1971, mesmo dia em que Merlino seria, mais tarde, levado da casa de sua mãe em Santos, recém-chegado de Paris. “No primeiro dia, fui muito torturada, depois eles se ocuparam dele”, conta. Ela não sabia de quem eram os gritos que ouvia quando, no dia seguinte, levada da cela para a sala dos choques elétricos, viu, sobre uma mesinha no hall do segundo andar, os óculos “iguais aos do Allende”, que ela reconheceu de imediato. O interrogador que a conduzia percebeu o sobressalto: “Você sabe quem é, né? Sim, ele está aqui conosco também”.
Dois dias depois, em 19 de julho de 1971, ela e outras mulheres ouviram um alarido de policiais no pátio. Pequena e magrinha, Leane subiu nos ombros de duas companheiras e espiou pelo basculante no alto da cela. Foi quando viu Merlino ser jogado no porta-malas de um carro. Quase desmaiou. “Reconheci o Nicolau na hora. Era a roupa dele, eu conhecia as camisas xadrezinhas que ele usava, o cabelo dele, mesmo o rosto dava para ver. Eu não sabia se ele estava morto ou desacordado; mas tive a sensação do pior. Afinal, se fosse para levar mesmo para o hospital, como disseram depois, eles iam botar no porta-malas?”
No dia seguinte, 20 de julho, dona Iracema, a mãe de Merlino, soube da morte do filho de 23 anos e da versão divulgada pelos agentes de que teria “se suicidado”, mentira contada para encobrir o motivo real da morte: uma gangrena causada por 24 horas ininterruptas de tortura até ser jogado em uma cela forte para morrer. Foi o cunhado dele, Adalberto Dias de Almeida, marido de sua irmã Regina e delegado de polícia em Santos, que ligou para ter notícias de Merlino e ouviu dos oficiais a versão forjada. Ao entrar escondido no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo, descobriu seu corpo sem identificação. Os sinais de tortura eram evidentes, a família recebeu um caixão lacrado.”

Agentes da repressão na espreita

Angela e seu filho
“Quando finalmente desembarcou no país percebeu que, apesar da gradual abertura política e da Anistia, o clima ainda era pesado. Havia estado no Brasil uma única vez nesses 11 anos, quando veio clandestinamente para o Rio de Janeiro em 1974 e passou três semanas debatendo com os companheiros do POC. Agora continuava a se sentir vigiada, o que com- provaria, em 1995, ao descobrir um documento no Arquivo do Estado de São Paulo datado de 1981, ano de seu retorno definitivo ao Brasil: “DOPS, Polícia Civil de São Paulo – Relatório Diário no 1453 – 13 de fevereiro p.p. Angela Maria Mendes de Almeida, acompanhada de seu filho, Nicolau Bruno de Almeida Leonel, desembarcou no Aeroporto de Viracopos, São Paulo, pelo vôo TP-373, da Companhia TAP, declarando pretender residir na Alameda Lorena, 489, Capital São Paulo”.
(…)
Gradativamente (…), Angela reconstruiu a história do assassinato do companheiro morto, encontrou as testemunhas, descobriu seus algozes e, com a família de Merlino, entrou com uma ação cível declaratória buscando o reconhecimento da responsabilidade do coronel Ustra pela morte do jornalista. Ainda assim, o processo foi extinto em 2010. Embora nunca tivessem almejado indenização monetária, foram aconselhados pelo advogado da família, Fábio Konder Comparato, a mover uma nova ação, essa por danos morais, para conseguir a almejada responsabilização do Estado na figura de Ustra. Dessa vez, conseguiram uma primeira vitória na Justiça, com sentença emitida pela juíza Cláudia Menge em 2012, condenando o coronel Ustra: “são evidentes os excessos cometidos pelo requerido [Ustra], diante dos depoimentos no sentido de que, na maior parte das vezes, o requerido participava das sessões de tortura e, inclusive, dirigia e calibrava intensidade e duração dos golpes e as várias opções de instrumentos utilizados”.
Ustra, porém, recorreu e, depois de sua morte, em 2015, em um julgamento marcado de última hora para o dia 17 de outubro de 2018 – quando Jair Bolsonaro havia sido o candidato mais votado no primeiro turno das eleições –, o processo acabou sendo arquivado por prescrição. O argumento? A família havia ultrapassado os 20 anos de prazo para reclamar a indenização. “Dizer que a gente esperou 20 anos para entrar com a ação é muito cruel. Foram 47 anos de muita luta. E eu sinto muito por minha avó ter morrido sem ver justiça”, disse à Pública, na ocasião, a jornalista Tatiana Merlino, filha da irmã de Merlino, Regina.
No dia 10 de outubro de 2019, Angela travou mais um capítulo dessa batalha. Em julgamento da 11ª Turma do Tribunal Regional Federal de São Paulo, por 2 votos a 1, os desembargadores não aceitaram o recurso e não receberam a denúncia do Ministério Público Federal, que pedia a condenação de três agentes da ditadura: os policiais civis Aparecido Laertes Calandra e Dirceu Gravina (JC ou Jesus), então cedidos ao DOI-CODI, e o médico legista Abeylard de Queiroz Orsini (Ustra já havia falecido). Os primeiros, por participação nas torturas que mataram Luiz Eduardo Merlino, e o último, por ter falsificado o laudo necroscópico do jornalista. O argumento foi o de sempre: o crime teria deixado de ser punível por causa da Lei da Anistia.
No final do julgamento, Angela disse aos jornalistas: “O pior é que essa decisão é um incentivo à tortura. Fico escandalizada que, na situação em que estamos, na qual o presidente da República e outros [agentes públicos] defendem a tortura, que nunca deixou de existir, e a ditadura militar, o Judiciário demonstre tal insensibilidade”.
E vaticinou: “A luta vai sobreviver a mim”.’

segunda-feira, 30 de março de 2020

AP - Coronavírus e o bolso: "Ninguém que está vivo no Brasil hoje viu algo tão sério"


Coronavírus e o bolso: "Ninguém que está vivo no Brasil hoje viu algo tão sério"

Resumo:
Garçons, vendedora, jardineiro, aeronauta: os relatos de trabalhadores suspensos ou que perderam empregos e os de empresários com seus negócios interrompidos pelo avanço da pandemia
Por Ciro Barros, Rafael Oliveira, Raphaela Ribeiro, Thiago Domenici
João*, 50 anos, é garçom de uma rede de restaurantes que atende alguns hotéis em São Paulo. Há cinco anos na função, no início da semana passada foi avisado pela gerente de que deveria ficar em casa por tempo indeterminado. “Não fui demitido, mas afastado”, esclarece. A falta de clientes na cidade que é o epicentro da Covid-19 no país foi o motivo alegado pela gerente para mandar o garçom para casa. “A comunicação foi verbal, nada por escrito”, afirma. Casado e pai de três filhos, ele se diz preocupado com a situação financeira da família. “Minha esposa é diarista e também está parada”, explica. À espera do direcionamento da empresa sobre os próximos passos, João compreende que o coronavírus atingiu a economia de forma acachapante, mas que não pode ficar sem seus direitos. “Vou esperar mais um pouco antes de procurar um advogado.” Para ele, atravessar a quarentena sem entender o que lhe reserva o futuro no trabalho é um drama que não imaginou viver. “Eu tenho um irmão na mesma situação.”
Leandro*, 55 anos, irmão de João, disse à Agência Pública que no hotel onde trabalha, em São Paulo, os funcionários mais idosos foram mandados para casa no início da semana passada. No caso dele, anteciparam suas férias de 30 dias diante da crise causada pelo coronavírus. No dia 25 de março, porém, recebeu uma proposta que o deixou desconfortável. “Posso receber metade do salário por 120 dias [R$ 720] pós-férias ou voltar a trabalhar depois correndo o risco de ser contaminado”, diz.
Segundo ele, o hotel onde trabalha tem hospedado médicos e enfermeiros envolvidos no combate ao coronavírus em serviços de saúde da cidade. Entre a necessidade do salário integral para pagar as contas e o risco à saúde, Leandro não sabe o que fazer. “É uma bomba na mão pra desarmar”, desabafa.
A situação dos irmãos se repete pelo mundo afora. As medidas de quarentena sugeridas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao avanço da pandemia do novo coronavírus trouxeram uma parada súbita à economia mundial pela restrição da movimentação de pessoas.
No Brasil, o estado de São Paulo e a capital do Rio de Janeiro impuseram desde o dia 24 de março um regime de quarentena: estão fechados estabelecimentos comerciais, exceto os que fazem parte do chamado comércio essencial (como supermercados, farmácias e postos de gasolina) – no Rio, um decreto publicado na última sexta-feira liberou o funcionamento de lojas de material de construção e de conveniência.
As medidas de isolamento social, defendidas por boa parte da comunidade médica e científica – também pela maioria da população em pesquisa de opinião – como necessárias para evitar uma alta vertiginosa nos contágios e um colapso no sistema de saúde do país, são criticadas por empresários e pelo presidente Jair Bolsonaro, situação que causa perplexidade mundo afora. “O Brasil está numa curva crescente de casos, com transmissão comunitária do vírus, e o número de infectados está dobrando a cada três dias”, informou em nota a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “Concordamos que devemos ter enorme preocupação com o impacto socioeconômico desta pandemia e a preocupação com os empregos e sustento das famílias. Entretanto, do ponto de vista científico-epidemiológico, o distanciamento social é fundamental para conter a disseminação do novo coronavírus, quando ele atinge a fase de transmissão comunitária.”
Um estudo publicado pelo Imperial College de Londres reforça o temor em abrandar a quarentena, como sugere o presidente Jair Bolsonaro. Segundo os cálculos da instituição, que vêm balizando ações da OMS mundo afora, caso o Brasil adote uma política de supressão, ou seja, de distanciamento social intenso e rigoroso, com redução de 75% nas taxas de contato interpessoal, o número de mortes pode ficar em 44 mil. Isolar só idosos e grupos de risco, como vem defendendo Bolsonaro sob a justificativa de reduzir impactos econômicos, pode levar a 529 mil mortes, segundo as projeções.
Se um possível colapso do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é percebido como distante por boa parte da população, apesar do alerta dos especialistas, as consequências econômicas já são sentidas mesmo antes de as medidas de circulação entrarem em vigor.

“Devemos perder um faturamento de R$ 50 bilhões”

O dia 18 de março marcou o fim de uma carreira de sete meses como auxiliar de cozinha para Ana Caroline Campos em um restaurante no bairro dos Jardins, na zona oeste de São Paulo. “No dia que o restaurante fechou, o chefe me chamou e disse que ia ter que me mandar embora”, conta. O restaurante fechou por tempo indeterminado e não poderia manter muitos funcionários. Moradora do Parque Regina, região periférica da zona sul de São Paulo, ela diz que mora com a mãe e com dois irmãos adolescentes. “A gente mora de aluguel e sou só eu e minha mãe para manter as despesas de aluguel, água, luz, mantimentos”, relata.
O setor de bares e restaurantes é um dos mais afetados pela restrição da circulação de pessoas e percebido como um dos mais potencialmente afetados pelas medidas de quarentena. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estimou que, caso nenhuma medida econômica fosse adotada pelo governo, como o auxílio para arcar com salários e aluguéis, o setor poderia perder metade da força de trabalho em 40 dias – um total de 3 milhões de empregos a menos. “Somos 1 milhão de estabelecimentos, 65% não têm nem CNPJ, e 80% deles faturam menos de R$ 20 mil por mês e têm no máximo dois funcionários. Esses 80% geram cerca de 20% de faturamento do setor, da ordem de R$ 250 bilhões, mas são responsáveis por quase metade dos empregos”, enumera o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.
Ele cita um estudo do banco JP Morgan que estimou que bares e restaurantes no mundo suportam em média 16 dias sem receita. “No Brasil, esse prazo certamente é menor. O nosso setor é o mais vulnerável”, avalia. Segundo ele, o setor “já despenca” desde a semana entre os dias 15 e 21 de março. “Acho que ninguém que está vivo no Brasil hoje viu algo tão sério. Estimo que pelo menos uns 100 mil empregos já tenham sido eliminados e que devemos perder um faturamento da ordem de R$ 50 bilhões”, diz Solmucci.
Na última sexta-feira, 27, o governo federal anunciou uma linha de crédito emergencial de R$ 40 bilhões para que pequenas e médias empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões financiem a folha de salários – o que, segundo o governo, poderá socorrer 12 milhões de pessoas e 1,4 milhão de empresas. O programa vai bancar até dois salários mínimos por empregado, e a empresa que aderir não poderá demitir por dois meses.
Há seis meses Jessé de Oliveira Júnior abriu um bar na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, mas não poderá usufruir dessa linha de crédito, pois sua empresa não se enquadra no faturamento proposto. O empresário ainda estava em meio à penúria de início de negócios quando a crise chegou: fez investimentos iniciais para adequar o imóvel, contratou seis funcionários e estava operando no vermelho, esperando o início de lucro. “Do almoço, o movimento caiu bruscamente de uma semana para outra. Caiu de 80% a 90% o movimento. Aí as pessoas que tinham evento marcado à noite contataram a gente e foram cancelando.” Ele explica que na semana de 15 a 21 de março resolveram suspender as atividades temporariamente. “Ficamos preocupados com a saúde dos funcionários. Fizemos uma reunião, falamos para ficarem em casa durante 15 dias, e a gente vai avaliar como vai estar a situação”, relata. “Estamos com receita zero e as despesas estão mantidas: aluguel, salários, encargos. Estamos na expectativa de alguma medida para minimizar esse impacto”, diz ele, que garante pagar os salários dos funcionários neste mês de abril.

“Em 30 anos de aviação nunca vi essa situação”


Na região do Largo 13, centro comercial de Santo Amaro, os estabelecimentos permanecem fechados e a circulação de pessoas diminuiu bastante
O setor da aviação civil está entre os mais impactados do mundo pelo coronavírus. A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA na sigla em inglês) estima que sejam necessários cerca de US$ 200 bilhões de apoio estatal e estima em US$ 113 bilhões a perda de receita neste ano. No Brasil, a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) informou que há queda de 75% na demanda doméstica por voos e 95% na internacional em relação ao mesmo período em 2019. Entre as companhias brasileiras, a Gol está com 90% da frota parada e a Latam, com 75%. “Eu tenho 30 anos de atuação no setor da aviação e nunca vi nada parecido”, afirma a porta-voz do Sindicato Nacional de Aeroviários (SNA), Celma Balbino. Ela critica as negociações em curso com as companhias aéreas. “O impacto para nós é extremamente desastroso e preocupante. As empresas fizeram propostas de afastamento na metade deste mês e algumas chegaram a propor diminuição de 50% do valor dos salários dos trabalhadores nessa situação atual de crise.” Ela chama atenção para os serviços de pista, feito por empresas terceirizadas, que podem ir à falência com a paralisação. Uma Medida Provisória (MP) do governo de apoio à aviação civil já tramita no Congresso. Entre as medidas, estão a extensão do prazo para reembolso das passagens e o adiamento do pagamento das outorgas dos aeroportos concedidos.
Cláudio* faz parte de outro segmento da aviação: o dos aeronautas. Comissário de bordo de uma grande companhia aérea, ele está em licença remunerada. “A empresa anunciou que precisaria de 7 mil pessoas [em licença remunerada], que é mais ou menos 50% do quadro de funcionários e que, se não chegasse a esse número, seriam abertas outras medidas. Foi dado um prazo até o dia 20 de março. Analisei a situação, vi que São Paulo vai ser a base mais afetada para a minha empresa e que, se eu ficasse, ia ser um gasto desnecessário. Achei mais conveniente tirar esse mês de licença. As operações, que iam ser reduzidas para 30%, agora estão em 10%. O mês de abril vai ser bem difícil”, avalia. Segundo ele, há negociações em curso entre a companhia em que trabalha e o Sindicato Nacional de Aeronautas (SNA) para a redução do salário-base em 15% e redução das folgas e benefícios para quem não atingir as horas de voo previstas em contrato.
Ele aguarda uma definição e, com aeroclubes fechados em São Paulo, lamenta não poder concluir o curso que faz para se tornar piloto comercial.

“Fiquei procurando dois meses pra trabalhar menos de uma semana”, diz vendedora

Graciete Lima começou a trabalhar como vendedora de uma joalheria no shopping Cidade Jardim, na zona sul de São Paulo, no dia 13 de março. Três dias depois, no dia 16, viu o noticiário a respeito do novo coronavírus crescer. “Nem fui trabalhar [na quinta, dia 19] porque disseram que o shopping não iria nem abrir”, relata. Graciete espera em casa, com contrato e carteira assinada, o que vai acontecer. “Fiquei dois meses procurando emprego pra trabalhar menos de uma semana”, reclama.
Um levantamento feito pelo Sebrae indica que os setores de construção civil, moda, alimentação fora do lar e varejo tradicional (lojas físicas) estão entre os mais impactados pelas medidas de quarentena. O levantamento lista outros dez segmentos atingidos. Ao todo, segundo o Sebrae, 12,3 milhões de negócios que geram 21,5 milhões de empregos serão afetados.
O turismo é um desses segmentos. No Brasil, entidades do setor falam em uma possível perda de receita na ordem dos R$ 30 bilhões e 1 milhão de empregos em risco. Os números foram apresentados em um manifesto enviado ao governo federal. As associações afirmam que 80% dos hotéis e resorts, além de parques e atrações turísticas, estão fechados. O cenário preocupa empregados e empresários desses setores.
Estudante de turismo, Carlos Henrique Calixto, 22 anos, foi demitido no último dia 20 de março. Carlos trabalhou durante um ano e três meses no Quality Hotel, na zona oeste de São Paulo. No dia da sua demissão, somente sete dos 130 quartos disponíveis estavam ocupados. “É um hotel muito business. O movimento vinha oscilando. O turismo sentiu no começo, mas ninguém considera o turismo como importante no país.”
Dona de uma pequena pousada em Monte Verde (MG), um distrito da cidade de Camanducaia e tradicional destino de inverno, Silvana Pinto Silva vê um dos feriados importantes do ano, a Páscoa, ameaçado pela quarentena. “O impacto para o segmento de turismo e, no meu caso, a hospedagem é praticamente total. Estamos às portas de um início de temporada [de inverno], estamos numa cidade turística onde o grande foco são os meses de outono e inverno”, diz. “Como ainda não está muito definido o período que vamos ficar nessa situação, praticamente 90% das reservas estão sendo reagendadas para um período futuro”, afirma. Mas ela se mantém otimista. “Teremos que usar o restante dos meses com ótimas promoções, as pessoas vão estar ávidas por viajar”, avalia.

Renda básica: “Será que me enquadro?”

Samuel Ramos Souza, 32 anos, é trabalhador informal desde março de 2019, quando foi demitido de um restaurante japonês no qual era cozinheiro. Sem registro em carteira desde então, passou a fazer serviços de jardinagem para a empresa de um amigo, em condomínios da região de Carapicuíba, Osasco e Cotia, na Grande São Paulo. “É um bico para não ficar parado”, explica ele, que pretendia voltar ao trabalho formal como cozinheiro quando a crise trazida pelo coronavírus chegou. “Mais da metade dos condomínios que a gente atendia não querem o serviço agora”, relata. A situação tem deixado o jardineiro angustiado. Pai de dois filhos, Samuel está se separando e teme não ter o dinheiro necessário para pagar a pensão das crianças e o aluguel da casa onde mora. “Não sei como vou fazer. Preciso dar um jeito urgente”, desabafa.
Samuel soube pela televisão que a Câmara dos Deputados aprovou na quinta-feira um auxílio emergencial que prevê concessão, durante três meses, de R$ 600 a trabalhadores informais e de R$ 1.200 para mães responsáveis pelo sustento da família – inicialmente, o governo federal tinha proposto R$ 200. Para passar a valer, a MP precisa passar pelo Senado e ser sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro – o custo aproximado aos cofres públicos é de R$ 14,5 bilhões.
“Será que me enquadro?”, perguntou Samuel durante a entrevista.
De acordo com a regras, sim. Além de não ter emprego com carteira assinada, o jardineiro se enquadra no critério de renda – até meio salário mínimo (R$ 522,50) por pessoa ou renda familiar mensal total de até três salários mínimos (R$ 3.135,00).

Revolta com a MP 927

Após idas e vindas, o trecho da MP 927 que tratava da suspensão de contrato de trabalho por quatro meses sem pagamento de salário foi revogado após duras críticas ao governo e revolta nas redes sociais.
O polêmico artigo 18, por exemplo, definia o “direcionamento do trabalhador à qualificação” e permitia o afastamento por até quatro meses sem receber salário para que ele participasse de um curso voltado para a qualificação profissional. Porém, outros pontos incomodam as centrais sindicais. “A edição dessa Medida Provisória mostra que nós não temos governo no momento mais dramático da história do país”, afirmou Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
A CUT e outras centrais sindicais exigem a revogação completa da MP 927, baseando-se em uma nota técnica do Dieese, além da criação de uma comissão tripartite para o enfrentamento da crise econômica com representantes de trabalhadores, dos empresários e do Congresso Nacional. A CUT pede ainda a reconversão industrial, ou seja, a possibilidade de readaptar uma indústria de outra área, como a de autopeças, por exemplo, para a produção de equipamentos de saúde. “Falta álcool, falta máscara, falta tudo. Nós precisamos garantir o reabastecimento para os trabalhadores”, afirma Nobre.
Pressionado, o governo propôs nova MP, em que reduziu de quatro para dois meses o período de suspensão de contratos de trabalho para empresas que tenham sido obrigadas a fechar em função do cumprimento das medidas restritivas. Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, todas as medidas econômicas do governo somadas superam os R$ 700 bilhões em três meses.


* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados.


O Observatório da Educação Ambiental Brasileira Michèle Sato não foge à luta pela soberania brasileira!! Dizemos não ao imperialismo que per...